O texto que hoje publicamos não é da nossa
autoria e encontra-se em:
CML
revista.
Dezembro 2009 nº 74 Lisboa: Câmara Municipal – Direcção Municipal dos Recursos
Humanos e Divisão de Comunicação e Imagem, Design Divisão de Comunicação e
Imagem, págs. 14-15
«Destacando-se da Freguesia de Santa Justa,
surgia em 1553 a nova freguesia dos Anjos, orago de uma ermida existente junto
ao regueirão. Era uma freguesia que se estendia por um vale, na base três
colinas que se sucediam: Monte de S. Gens (Senhora do Monte), Monte Agudo e
Penha de França. De características rurais, estava recheada de pequenas quintas
e casas agrícolas, beneficiando de um regueirão alimentado pelos Arroios que
existiam um pouco mais acima e pela água das nascentes das Fontaínhas (cerca de
onde hoje é o Largo de Santa Bárbara). Aí, uma área inundada deu origem ao
topónimo da Charca. A Azinhaga da Charca subi as encostas até Sapadores (pelo
que é hoje a Rua Angelina Vidal, em homenagem à jornalista e publicista
republicana), cruzando-se com o Caminho do Forno do Tijolo, primeiro, e o
caminho do Monte Agudo (actual Heliodoro Salgado, outro jornalista
republicano), que ligava à Penha de França.
Quando, na última década do século XIX, se
começou a rasgar a Avenida Rainha D. Amélia (actual Almirante Reis) a partir da
Rua da Palma, um proprietário de terrenos da zona, Manuel Gonçalves Pereira de
Andrade, fundou uma urbanização (hoje Bairro Andrade, acima do local onde o
Regueirão dos Anjos cruzava a Avenida, confinando com a Mouraria (Intendente e
Olarias) e chegando quase à Charca. O bairro ostenta topónimos de senhoras da
família do fundador, como é o caso das Ruas Andrade, Maria, Maria Andrade e
Palmira e localiza-se na base do monte de S. Gens, entre as actuais Ruas Maria
da Fonte e Forno do Tijolo e a Avenida.
Neste bairro, num pequeno largo junto à
Avenida, encaixada no Jardim António Feijó, está a actual Igreja dos Anjos, de
1911, que substituiu a anterior (que se erguera no local da antiga ermida no
século XVIII e fora reconstruída em 1758, após o terramoto), derrubada quando
da abertura da Avenida. Deve-se ao traço de José Luís Monteiro, em puro estilo
clássico, e alberga duas notáveis obras de arte do século XVI, que talvez já
tenham pertencido à ermida: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição e uma das
primeiras telas retratando Santo António.
Um pouco mais acima da Charca, na base da
Penha de França, um outro proprietário de terrenos no local, o comerciante Brás
Simões, decidiu-se a construir também o seu bairro, durante as duas primeiras
décadas do século XX. O início das obras foi acidentado, com prédios a
colapsarem ainda durante a sua construção, o que levou à alteração das técnicas
construtivas. Inicialmente chamado Bairro Brás Simões, mudaria de nome por conveniência
política nos tempos finais da I Grade Guerra, em que Portugal se envolvera em
1916: tomou o nome de Bairro de Inglaterra, em homenagem à nação aliada (pela
mesma altura, outro bairro mais oriental, o Bairro da América, junto ao Vale de
Santo António, colhia o nome de outro aliado). As suas ruas levam nomes de
cidades e de poetas ingleses.
Finalmente, na zona deixada livre junto à
Charca, entre um e outro dos referidos bairros, o Município tomou a iniciativa
de lotear uma nova urbanização, na base do Monte Agudo e cujo traçado
sacrificou a Azinhaga da Charca e o Caminho do Forno do Tijolo (os vestígios deste
último topónimo estão na actual designação da Rua do Forno do Tijolo e numa
chaminé remanescente do antigo forno). Apresenta edifícios seriados em estilo
pós Arte Nova, construídos ao longo dos anos 20, (sic) e outros mais recentes, em estilo Arte (sic) Déco e modernista, cuja edificação se prolongou até finais dos
anos quarenta. Recebeu o nome de Bairro das Colónias em consonância com o
espírito de celebração nacionalista que então se vivia. Assim, as suas ruas
receberam nomes como Guiné, Zaire, Angola, Macau, Timor, Moçambique ou Cabo
Verde.
No topo do Bairro das Colónias, uma praça
(actual Praça das Novas Nações) junto à encosta do Monte Agudo, acolheu uma
escola primária camarária que concilia os estilos “neo-casa portuguesa” (sic) e modernista e um jardim que
celebrava o Império, ostentando os escudos com os brasões das então “províncias
ultramarinas” um flores e plantas laboriosamente jardinadas pelo pessoal
municipal.»
Sem nos debruçarmos muito sobre o conteúdo
total do texto publicado, visto o nosso foco de interesse ser o Bairro das
Colónias, os sic que acrescentámos ao
mesmo servem apenas para chamar a atenção para a falta de rigor científico do
que nele se escreve. Já agora, pena que a última frase não seja verdadeira de
há muitos anos a esta parte. Sem mais comentários.